Motoboys fazem protesto em Campo Grande após morte de colega; 'Eu comprei a moto para ele trabalhar, não para perder a vida', diz pai
Motoboys fazem protesto em Campo Grande após morte de colega durante entrega Dezenas de motoboys fazem, nesta segunda-feira (26), uma manifestação no Centro ...
Motoboys fazem protesto em Campo Grande após morte de colega durante entrega Dezenas de motoboys fazem, nesta segunda-feira (26), uma manifestação no Centro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, em protesto pela morte do colega de trabalho Paulo Vitor de Souza Lopes. Os motociclistas passaram por ruas do bairro e às 14h30 estavam na Avenida Brasil, na altura de Deodoro. O jovem de 22 anos foi assassinado a tiros enquanto fazia uma entrega de pizza em Senador Vasconcelos, na noite deste domingo (25). Segundo testemunhas, Paulo Vitor foi abordado por criminosos por volta das 21h30, na Avenida Cesário de Melo, no momento em que realizava uma entrega. Os suspeitos efetuaram vários disparos contra o jovem, que utilizava uma bolsa térmica de aplicativo de entregas, e fugiram levando a motocicleta da vítima. Amigos de Paulo Vitor fazem uma manifestação após morte de motoboy Reprodução/TV Globo Horas depois, policiais encontraram o veículo abandonado na Estrada do Campinho, em Campo Grande. Este é o segundo caso de motoboy morto enquanto trabalhava na cidade em menos de uma semana, o que motivou a mobilização da categoria. O grupo se concentrou na Rua da Feira e passou por outras vias do bairro antes de ir para a Avenida Brasil. Os manifestantes também passaram pelo 40º BPM (Campo Grande). CET-Rio, Polícia Militar e Subprefeitura acompanhavam. O caso é investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital (DHC). O corpo de Paulo Vitor foi encaminhado ao Instituto Médico-Legal (IML), no Centro do Rio. 'Eu espero que a polícia faça o trabalho dela', diz pai O pai de Paulo Vitor, que prefere não se identificar e não mostra o rosto por medo, contou que o filho pode ter hesitado na hora de entregar a moto. Essa reação, segundo ele, teria motivado o disparo fatal. Pai do motoboy durante o reconhecimento do corpo do filho no IML Reprodução/TV Globo “Pelo que disseram, ele hesitou para entregar a moto. Aí o bandido atirou no rosto dele e levou tudo: os pertences, a moto. É muito difícil. A gente vê isso todo dia na televisão, trabalhador sendo morto… mas nunca imagina que vai acontecer com o próprio filho”, lamentou. O jovem morreu ainda com o capacete, o uniforme de trabalho e a mochila de entregas nas costas. Até a pizza que ele transportava foi levada, segundo relatos feitos à família. Na porta do IML, pai faz um apelo para que a justiça seja feita, sem incitar atos violentos. “Eu espero que a polícia faça o trabalho dela. Não quero que ninguém atrapalhe a vida dos outros por minha causa. Sou cristão e desejo que isso melhore. A tendência tem sido só piorar, infelizmente.” Paulo Vitor de Souza Lopes Reprodução/TV Globo A família de Paulo Vitor afirma que o jovem tinha acabado de conseguir a moto usada no trabalho. O pai comprou o veículo na expectativa de ajudar o filho a ter independência financeira. “Eu comprei a moto para ele trabalhar, para se sustentar. Não para ele perder a vida”, disse, emocionado. “Espero que as autoridades olhem para isso: cidadãos que saem para trabalhar e não conseguem voltar para casa.”